sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ikebana Ikenobo no século 21

A ikebana clássica, da escola Ikenobo, inicia uma nova fase depois de três anos de estudos feitos pelos professores da Ikenobo Society of Floral Art, com sede no Japão. Agora em 2010, Sen´ei Ikenobo, o 45º grão-mestre da entidade -- cuja linhagem remonta ao fundador da escola -- redefiniu os estilos que fazem parte da escola. São eles

Rikka -- o mais tradicional, em suas versões clássica (shofutai), criada no início do século XVI, e moderna (shimputai), desenvolvida após a Segunda Guerra Mundial.

Shoka -- nas versões shofutai, desenvolvida a partir do século 17 inspirada do estilo nagueire, e shimputai, idealizada em 1977 pelo atual grão-mestre.

Jiyuka -- o estilo livre, que surge no final do século XX, também concebido pelo atual presidente da escola.

"Com esta reformulação, o estilo moribana deixa de fazer parte da nossa escola", lembra Emília Tanaka, presidente da Associação Ikebana Kado da América Latina.

A mudança certamente demandará a reciclagem dos professores da área, mas deve facilitar os estudos dos novos aprendizes.

Texto: Monica Martinez
Arranjos em estilo Shoka Shofutai Sanshu-ikê respectivamente de Elza Baptista, Elza Oguma e Monica Martinez, sob orientação de Emília Tanaka.


sábado, 20 de novembro de 2010

Shoka Shimputai


Neste ikebana em estilo livre do shoka foi usado o agapanto azul, um indicador de que se trata de um arranjo de primavera e/ou verão -- época em que estas flores originárias da África do Sul florescem na região Sudeste do Brasil.

O marcador de estação é reforçado pelos antúrios. As flores desta planta -- na verdade folhas modificadas -- variam do verde ao vermelho intenso, passando pelo delicado cor-de-rosa aqui usado. Na estação mais quente do ano, elas ficam mais brilhantes e vivas.

Finalmente a folhagem usada, o pândano, dá elagância à composição. Os arranjos respectivamente são de Elza Oguma, Monica Martinez e Elza Baptista, feitos sob orientação da professora Emília Tanaka.




Texto e fotos: Monica Martinez

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Shoka Shofutai Sanshu-ikê





O shoka é um dos arranjos mais elegantes do estilo Ikenobo. Este é um Sanshuike, o que significa que possui três plantas diferentes. No caso, a helicônia, o girassol e as folhagens.

Note o espaço entre o vaso e as flores, que no caso do Shoka é alinhado e precisa ficar bem visível.




Os arranjos são respectivamente de Elza Baptista, Elza Oguma e Monica Martinez, realizados sob supervisão de Emília Tanaka.

Fotos e texto: Monica Martinez

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Livres e leves


A simplicidade do arranjo livre é aparente. Na verdade, ele demanda muito trabalho, pois é um desafio criar uma composição que não remeta a nenhum dos demais tipos de arranjo, todos com regras bastante definidas. No primeiro arranjo, a sensei Emília Tanaka usa a folha de curculigo de forma surpreendente: ela conecta o arranjo ao vaso. Em seguida, Elza Oguma usa a bela flor gloriosa.
Texto e fotos: Monica Martinez

Rikka Shimputai com flores da primavera




O que faz com que as flores fiquem exatamente no lugar mais harmônico numa composição de rikka? O segredo tem nome: arames. As flores são meticulosamente fixadas na posição desejada graças a arames colocados de forma elaborada. Na foto, arranjos de Monica Martinez e Elza Oguma.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mais rikkha shimputai






Ao lado, mais um exemplo de Rikka Shimputai feito com ocuroleuca, flor de alho, liseants e estrelítzia. Arranjos de Elza Baptista, Monica Martinez, Mariko e Elza Oguma.

Os dois princípios da ikebana

Durante sua visita ao país em agosto de 2010, para ministrar curso de reciclagem de ikebana, o professor Manabu Noda, do Instituto de Treinamento Central Ikenobo, de Kyoto, Japão, explicou que há duas regras básicas para um arranjo ser considerado da escola ikenobo:

1) Espírito de Harmonia: os japoneses são, por tradição, grandes apreciadores da natureza, que está em constante mutação por conta das estações. Dentre as várias flores disponíveis atualmente, busca-se uma que ajude a expressar a beleza da outra, no sentido de unir uma flor sem folhas com uma espécie dotada de bela folhagem. Além disso, não se faz um arranjo somente com flores abertas, uma vez que ele não teria um marcador de tempo. O botão, por exemplo, significa futuro. É a união dos dois elementos -- flor aberta e botão -- que indica o espírito da harmonia.

2) Beleza do Espaço: se há dois elementos, é preciso adicionar um terceiro -- no caso, o espaço. É esse uso do "vazio" que tão bem caracteriza a arte da ikebana.

Texto: Monica Martinez