terça-feira, 17 de maio de 2011

Os bastidores de um arranjo

Muito da beleza da Ikebana Ikenobo não está no que os olhos vêem, mas no que é invisível aos olhos. Neste arranjo em estilo clássico (Rikka Shofutai), por exemplo, praticamente todas as plantas foram aramadas para ficarem na posição exata. Observe o mizuguiwa, a linha reta que fica entre a linha da água e o arranjo propriamente dito.

Much of the beauty of Ikebana Ikenobo is not what the eyes see, but what is invisible to the eye. In this arrangement in the Rikka Shofutai classical style, for example, almost all plants were wired to stand in the exact position. Note the mizuguiwa, the straight line that lies between the waterline and the arrangement itself.

Arranjo, texto e foto: Monica Martinez

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A chave para decifrar o estilo Rikka



Uma das questões mais apaixonantes do estudo do estilo Rikka é que não se trata apenas de um mero arranjo. Por meio de galhos, folhas e flores, há uma paisagem simbolizada: uma montanha como a da figura acima.



Para ser bem-sucedido nesta estilização de formas é preciso muita atenção à estrutura do arranjo, como pode ser observado na figura ao lado.







O esforço, contudo, vale a pena. Basta olhar para o arranjo abaixo, feito por Emília Tanaka:

domingo, 27 de março de 2011

O Rikka moderno


Em 1999, o atual grão-mestre da escola Ikenobô, Sen'ei Ikenobo, desenvolveu um novo estilo de Rikka, chamado Shimputai ou moderno.

O novo estilo não tem regras tão rígidas quanto o Rikka clássico, permitindo a expressão da criatividade individual. Isso porque sua base são apenas dois galhos principais:

Shu: galho principal, em geral o mais expressivo do arranjo.
Yo: o galho secundário, que deve complementar o arranjo sem roubar a beleza do Shu.

Em seguida, finaliza-se o arranjo, colocando-se os ashirais (complementos). Não se deve esquecer também de cuidar do mizuguiwa , isto é, da linha que une o arranjo à água. Não há número determinado de elementos complementares no Rikka shimputai, mas é preciso lembrar que menos é sempre mais em Ikebana Ikenobo.



Nestes arranjos, respectivamente de Monica Martinez, Elza Oguma e Elza Baptista, os elementos shu são representados pela dália e pela helicônia. As fotografias são de Elza Oguma.

segunda-feira, 21 de março de 2011

SOS Japão

A menina salva
do meio do lamaçal --
Uma flor-de-lótus?


Haicai: Monica Martinez

Por conta do custo do envio e da situação precária em que alguns aeroportos e estradas japonesas ainda se encontram, a melhor forma de ajudar as vítimas da recente tragédia é por meio de doações em dinheiro.

As contribuições serão arrecadadas até 30 de abril.

CONTAS BANCÁRIAS PARA DOAÇÃO
Associação Miyagui Kenjinkai
CNPJ: 47.174.727/0001-59
Bradesco
Agência: 0131-7
Conta-corrente: 120459-9

Beneficência Nipo-Brasileira
CNPJ: 60.992.427/0001-45
Bradesco
Agência: 0131-7
Conta-corrente: 131000-3

Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil CNPJ: 46.568.895/0001-66
Banco do Brasil
Agência: 1196-7
Conta-corrente: 29921-9

Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social CNPJ: 61.511.127/0001-60
Bradesco
Agência: 0131-7
Conta-corrente: 112959-7
Santander
Agência: 4551
Conta-corrente: 13090004-4

ONDE SABER MAIS

Associação Cultural e Assistencial Iwate Kenjinkai do Brasil. R. Tomás Gonzaga, 95, Liberdade, tel. 3207-2383.
Associação Fukushima Kenjin do Brasil.
R. da Glória, 721, Liberdade, tel. 3208-8499.
Associação Miyagui Kenjikai do Brasil.
R. Fagundes, 152, Liberdade, tel. 3209-3265.

Fonte: Revista da Folha de S. Paulo, 20 a 26 de março de 2011.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Rikka




Os belos arranjos de Rikka feitos na aula passada por Mariko, Elza Oguma e Elza Baptista.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Celebração de 550 anos da Ikebana Ikenobo

Acredita-se que o templo Rokkakudo, localizado no centro de Quioto, foi fundado por Shotoku Taishi há cerca de 1 400 anos. Sacerdotes que faziam oferendas de flores aos altares budistas deste templo viviam próximo a um lago (ike em japonês) em uma pequena cabana (chamada bo). Por esta razão as pessoas começaram a chamar os monges pelo nome Ikenobo. Assim, a Ikebana começou e se difundiu com a escola Ikenobo, que teve muitos mestres famosos.

Em 1 462 Senkei Ikenobo foi descrito como “o mestre dos arranjos florais” em Hekizan Nichroku, o diário de Unzen Taikyoku, monge zen budista do Templo Tofukuji, de Quioto. Devido a este registro, o nome de Senkei Ikenobo permanece na história como o mestre que refinou a Ikebana.

Desta forma, em 2012 celebra-se o 550º. ano desde que o nome Ikenobo apareceu pela primeira vez em um registro histórico. Esta forma de arte enfrentou muitos momentos difíceis. Contudo, como diz Sen’ei Ikenobo, o 45º. grão-mestre desta escola, este marco “é o resultado do fato de que o espírito e a arte do Ikenobo têm passado desde então de professor a aluno, de pessoa a pessoa, e que as pessoas continuam a fazer arranjos de acordo com o espírito de seu tempo”.

“Eu acho que o Ikenobo tem uma missão a cumprir”, diz ele. “Nós enfrentamos mudanças dramáticas na cultura e nos valores japoneses, com velozes alterações na moderna sociedade japonesa. Ao dar continuidade aos esforços e ao entusiasmo de nossos antepassados, que também eles responderam às mudanças de seu tempo, fazemos o possível para que os valores do Ikenobo sejam amplamente reconhecidos na contemporaneidade”.

Ikenobo Ikebana 550th Year Celebration – Celebração de 550 anos da Ikebana Ikenobo – é o nome sob o qual vários eventos e atividades estão sendo organizados. As comemorações iniciam-se em novembro de 2011, durante a Exposição Tanabata, realizada no Japão, e encerram-se na mesma exibição em 2012.

Segundo Sen’ei Ikenobo, trata-se de uma oportunidade para rever o progresso feito até agora, bem como para determinar o caminho que será tomado no futuro.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Novo Jiuyka





Feitos no novo formato do estilo Jiyuka (livre), estes três arranjos têm em comum a busca por expressar uma ideia original. O uso da estrelítzia, que floresce no verão, indica a estação.

No mais, recomenda-se não mostrar o mizuguiwa, a linha que separa o vaso do arranjo -- uma característica dos estilos Rikka e Shoka.

A ideia, também, é privilegiar o uso de plantas naturais, com o mínimo de intervenção possível.

Monica Martinez
Fotos: Monica Martinez
Arranjos: Elza Baptista, Monica Martinez e Mariko Tamari.