Mostrando postagens com marcador 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2010. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de dezembro de 2010

Boas festas e feliz 2011



Os laços da flor com a natureza rompem-se no momento em que ela é cortada. Ao ser colocada em um vaso, a alma da flor e a alma do amante das flores fundem-se numa só chama. Neste instante, que ao longo do tempo os grãos-mestres vêm chamando de kiwa, a planta renasce. "Kiwa é o momento em que os nossos espíritos se elevam na mais alta emoção", diz o atual grão-mestre Sen´ei Ikenobo.

Neste sentido, diz ele, fazer uma ikebana não é apenas compor um arranjo que seja atraente aos olhos. Antes, é buscar a comunicação perfeita entre o coração do ser humano e o coração da planta.

Votos de boas festas e um ano novo próspero, saudável e belo,

Monica Martinez

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ikebana Ikenobo no século 21

A ikebana clássica, da escola Ikenobo, inicia uma nova fase depois de três anos de estudos feitos pelos professores da Ikenobo Society of Floral Art, com sede no Japão. Agora em 2010, Sen´ei Ikenobo, o 45º grão-mestre da entidade -- cuja linhagem remonta ao fundador da escola -- redefiniu os estilos que fazem parte da escola. São eles

Rikka -- o mais tradicional, em suas versões clássica (shofutai), criada no início do século XVI, e moderna (shimputai), desenvolvida após a Segunda Guerra Mundial.

Shoka -- nas versões shofutai, desenvolvida a partir do século 17 inspirada do estilo nagueire, e shimputai, idealizada em 1977 pelo atual grão-mestre.

Jiyuka -- o estilo livre, que surge no final do século XX, também concebido pelo atual presidente da escola.

"Com esta reformulação, o estilo moribana deixa de fazer parte da nossa escola", lembra Emília Tanaka, presidente da Associação Ikebana Kado da América Latina.

A mudança certamente demandará a reciclagem dos professores da área, mas deve facilitar os estudos dos novos aprendizes.

Texto: Monica Martinez
Arranjos em estilo Shoka Shofutai Sanshu-ikê respectivamente de Elza Baptista, Elza Oguma e Monica Martinez, sob orientação de Emília Tanaka.


sábado, 20 de novembro de 2010

Shoka Shimputai


Neste ikebana em estilo livre do shoka foi usado o agapanto azul, um indicador de que se trata de um arranjo de primavera e/ou verão -- época em que estas flores originárias da África do Sul florescem na região Sudeste do Brasil.

O marcador de estação é reforçado pelos antúrios. As flores desta planta -- na verdade folhas modificadas -- variam do verde ao vermelho intenso, passando pelo delicado cor-de-rosa aqui usado. Na estação mais quente do ano, elas ficam mais brilhantes e vivas.

Finalmente a folhagem usada, o pândano, dá elagância à composição. Os arranjos respectivamente são de Elza Oguma, Monica Martinez e Elza Baptista, feitos sob orientação da professora Emília Tanaka.




Texto e fotos: Monica Martinez

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Shoka Shofutai Sanshu-ikê





O shoka é um dos arranjos mais elegantes do estilo Ikenobo. Este é um Sanshuike, o que significa que possui três plantas diferentes. No caso, a helicônia, o girassol e as folhagens.

Note o espaço entre o vaso e as flores, que no caso do Shoka é alinhado e precisa ficar bem visível.




Os arranjos são respectivamente de Elza Baptista, Elza Oguma e Monica Martinez, realizados sob supervisão de Emília Tanaka.

Fotos e texto: Monica Martinez

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Livres e leves


A simplicidade do arranjo livre é aparente. Na verdade, ele demanda muito trabalho, pois é um desafio criar uma composição que não remeta a nenhum dos demais tipos de arranjo, todos com regras bastante definidas. No primeiro arranjo, a sensei Emília Tanaka usa a folha de curculigo de forma surpreendente: ela conecta o arranjo ao vaso. Em seguida, Elza Oguma usa a bela flor gloriosa.
Texto e fotos: Monica Martinez

Rikka Shimputai com flores da primavera




O que faz com que as flores fiquem exatamente no lugar mais harmônico numa composição de rikka? O segredo tem nome: arames. As flores são meticulosamente fixadas na posição desejada graças a arames colocados de forma elaborada. Na foto, arranjos de Monica Martinez e Elza Oguma.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mais rikkha shimputai






Ao lado, mais um exemplo de Rikka Shimputai feito com ocuroleuca, flor de alho, liseants e estrelítzia. Arranjos de Elza Baptista, Monica Martinez, Mariko e Elza Oguma.

Os dois princípios da ikebana

Durante sua visita ao país em agosto de 2010, para ministrar curso de reciclagem de ikebana, o professor Manabu Noda, do Instituto de Treinamento Central Ikenobo, de Kyoto, Japão, explicou que há duas regras básicas para um arranjo ser considerado da escola ikenobo:

1) Espírito de Harmonia: os japoneses são, por tradição, grandes apreciadores da natureza, que está em constante mutação por conta das estações. Dentre as várias flores disponíveis atualmente, busca-se uma que ajude a expressar a beleza da outra, no sentido de unir uma flor sem folhas com uma espécie dotada de bela folhagem. Além disso, não se faz um arranjo somente com flores abertas, uma vez que ele não teria um marcador de tempo. O botão, por exemplo, significa futuro. É a união dos dois elementos -- flor aberta e botão -- que indica o espírito da harmonia.

2) Beleza do Espaço: se há dois elementos, é preciso adicionar um terceiro -- no caso, o espaço. É esse uso do "vazio" que tão bem caracteriza a arte da ikebana.

Texto: Monica Martinez

sábado, 2 de outubro de 2010

Um ode à primavera

A ocuroleuca (Iris ochroleuca), que transmite ideia de crescimento, flores pequenas de antúrio vermelho (Anthurium andraeanum) e as florzinhas roxas da cáspia (Limonium latifolium)e da lavanda-do-mar (Limonium sinuatum)compõem as ikebanas em estilo Rikka Shimputai feitas por Monica Martinez e Elza Baptista, sob orientação de Emília Tanaka.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Rikka Shimputai: um clássico moderno


Todos estilos atuais derivam do clássico Rikka Shofutai, desenvolvido no final do século 16 e início do 17 pelos grão-mestres Senko I e Senko II. Trata-se de uma tentativa de criar uma miniatura da natureza num arranjo composto por 7 a 9 galhos principais, mais 15 galhos complementares.

Quinhentos anos depois, o próprio estilo ganhou um novo formato: o Rikka Shimputai ou estilo moderno, desenvolvido em 1999 pelo grão-mestre atual, Sen'ei Ikenobo, com o objetivo de harmonizar este estilo complexo com a vida contemporânea.



Para planejar um rikka shimputai é preciso partir de uma concepção simbólica. Os arranjos desta página celebram a primavera, uma vez que foram feitos no dia 23 de setembro -- data de entrada da estação no hemisfério sul. Usam como elemento principal, portanto, a ocuroleuca (Iris ochroleuca), que transmite poderosa ideia de crescimento. O segundo galho principal é feito com o antúrio. O conjunto é completado com o belo tom roxo das florzinhas miúdas da cáspia (Limonium latifolium). Finalmente, uma folha marrom de fórmio à frente no centro dá equilíbrio à composição. Arranjos feitos respectivamene por Monica Martinez, Mariko e Elza Baptista, sob orientação de Emília Tanaka.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

A criatividade do estilo livre



No estilo livre, o desafio é não se prender às regras dos demais estilos. Em outras palavras, quem entende a linguagem da ikebana clássica não pode associar o arranjo ao shoka nem ao rikha.

Acima, a orquídea é o ponto focal do arranjo, que parece estar sendo suavemente tocado por uma brisa que vem do lado esquerdo. As belas folhagens verde-amareladas do geto dão estabilidade à composição, que conta ainda com uma dracena (Dracaena reflexa, nativa de Madagascar, Índia e Ilha Maurício). O mosquitinho branco (Gypsophila paniculata L.) e o vime unnha-de-gato dão leveza à composição. Arranjo Monica Martinez.





À direita, as mesmas plantas dão origem a arranjos bem diferentes e originais. Ambos usam também a orquídea chuva-de-ouro (Ondidium varicosum, nativa do Brasil). Arranjos: Elza Oguma e Elza Baptista, respectivamente.

Orientação: Emília Tanaka.

sábado, 15 de maio de 2010

Shoka Shimputai mistura plantas ocidentais e orientais

A primeira coisa que se tem que ter em mente ao elaborar um arranjo Shoka Shimputai é que ele pode misturar materiais orientais, como o crisântemo, com tropicais, como a bela folhagem do asplênio. "Deve-se pensar num arranjo alegre, aguçado e elegante", lembra Emília Tanaka.

Os arranjos ao lado foram feitos com crisântemo híbrido, uma variedade moderna de cor lilás, asplênio, folhagem de tom verde brilhante, e cravo de intensa cor vermelha.
















De cima para baixo: arranjos de Monica Martinez, Elza Oguma e Elza Baptista.












terça-feira, 16 de março de 2010

Jiyuka, o estilo livre


O estilo livre da escola ikenobo está para a ikebana como a bossa nova está para a música popular brasileira.
A princípio, a composição parece ser a mais fácil de fazer. Ele é aparentemente leve, livre e solta, afinal não há regras, daí justamente ser chamada estilo livre.
Mas qualquer pessoa que aprecia música sabe que há muito planejamento e pensamento por trás das composições supostamente descontraídas de Tom Jobim e outros do período.
No estilo livre acontece o mesmo. Neste arranjo, por exemplo, a preocupação é precisamente que o arranjo não tenha referências que remetam aos outros estilos, como o rikka, o shoka e o moribana.
Para conseguir este efeito, há uma mistura bastante eclética de flores, combinando o amarelo intenso dos girassóis (Helianthus annuus), planta originária da América Tropical, com sua cor complementar, o roxo do lisianto (Eustoma grandiflorum), esta nativa dos Estados Unidos.
O acabamento do arranjo é dado pela grande folha verde da jibóia (Epipremnun pinnatum), pois neste estilo é fundamental vedar a visão do kenzan, o suporte de metal onde ficam fixadas as plantas.
A flor branca do antúrio (Anthurium andraeanum Linden), planta originária da Colômbia) passa quase desapercebido, porém é fundamental para iluminar o núcleo central da composição.
Finalmente, a sassanqua (Camelia Sassanqua), com suas folhas arredondadas de um verde intenso, dá profundidade ao arranjo.
Foto e ikebana: Monica Martinez
Orientação: Emília Tanaka

terça-feira, 9 de março de 2010

A elegância do Shoka com três plantas

Originária da Cochinchina, a bela flor lilás da cúrcuma (Curcuma alismatifolia) foi escolhida para o galho principal (shin).

A folha da areca-bambu (Dypsis lutescens), da ilha de Madagascar, foi selecionada para galho secundário (soe), criando um constrate delicado de forma e cor.

Para finalizar, a astromélia (Alstroemeria hybrida), nativa do Brasil, como tai, o galho que serve como porta de entrada para admirar o arranjo.

Arranjo e foto: Monica Martinez

Orientação: Emília Tanaka